Só o silêncio escuta cânticos do mar,
Só a criança rejubila ao tactear dos cabelos,
Só o vento me leva, Água.
...Na cidade dos murmúrios,
imune às palavras vãs,
sensível às tonalidades do sol,
ora exuberante ora irrequieto, sempre flor,
aconchego lágrimas de praias descalças.
Despojado do chão,
tremo no véu da lua que beija a ria,
como se um súbito exílio
conquistasse o amor que só os olhos vêm.
terça-feira, 8 de Setembro de 2009
sexta-feira, 14 de Agosto de 2009
O calor trespassa o aconchego dos plátanos,
Vórtice de viagens escutadas
na ternura dos afectos que Sagres abraça.
Amo da varanda, aplaudo, no resguardo da janela,
a dádiva do riso irresistível, que transpõe
desertos, doa estrelas para criar
e palmeiras para voar.
Vórtice de viagens escutadas
na ternura dos afectos que Sagres abraça.
Amo da varanda, aplaudo, no resguardo da janela,
a dádiva do riso irresistível, que transpõe
desertos, doa estrelas para criar
e palmeiras para voar.
quinta-feira, 16 de Julho de 2009
À tarde, quando o sol rasante
beija o rosto esfíngico
e o trigo abraça a noite,
beija o rosto esfíngico
e o trigo abraça a noite,
O mar traz perfumes
de sabor dançante e travo egípcio,
que sobressaltam dias vindouros,
como se trovoadas aniquilassem
a placidez do chão.
segunda-feira, 6 de Julho de 2009
Onde?
Senão antes do sonho
quando o orvalho amacia
a terra sedenta de mar
e os oráculos coreografam índicas mãos:
Ali pairam gestos
cantam cigarras
e brota o húmus dos passos marinheiros.
Senão antes do sonho
quando o orvalho amacia
a terra sedenta de mar
e os oráculos coreografam índicas mãos:
Ali pairam gestos
cantam cigarras
e brota o húmus dos passos marinheiros.
quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009
Meus dias
Verdes desertos encantados
Desencontrados irrequietos
Doces rebeldes rurais
Virgens naturais primordiais
Meus olhos Teu espanto
Meu Oceano Teu caminho
Tua Ilha Meu amor
Verdes desertos encantados
Desencontrados irrequietos
Doces rebeldes rurais
Virgens naturais primordiais
Meus olhos Teu espanto
Meu Oceano Teu caminho
Tua Ilha Meu amor
segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009
Ilha de São Vicente - Cabo Verde
Extinto o vulcão, sobram as águas que abraçam a cratera outrora pujante e o espectador dizimado pelo esplendor da areia.
terça-feira, 30 de Dezembro de 2008
segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008
Sou dos amigos
que habitam os dias,
Invisíveis mas presentes
Distantes mas "calientes";
Da praia e das casuarinas;
Das ondas que fustigam
o corpo àvido de espuma;
Das palmeiras do Oriente;
Da água da tua gargalhada;
Dos lugares vindouros e
Das calçadas de agora.
que habitam os dias,
Invisíveis mas presentes
Distantes mas "calientes";
Da praia e das casuarinas;
Das ondas que fustigam
o corpo àvido de espuma;
Das palmeiras do Oriente;
Da água da tua gargalhada;
Dos lugares vindouros e
Das calçadas de agora.
quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008
O dia com todos os dias
antes das palavras dos paladares
e das pampas ao sabor do rio.
O sol o frio e a lezíria
desbravam o ímpeto do oceano
que reabre o mundo à cidade
ávida de mares de melodias
de caminhos feitos de futuro
de corpos que dançam saltam
e cantam com a planície
que beija a água.
antes das palavras dos paladares
e das pampas ao sabor do rio.
O sol o frio e a lezíria
desbravam o ímpeto do oceano
que reabre o mundo à cidade
ávida de mares de melodias
de caminhos feitos de futuro
de corpos que dançam saltam
e cantam com a planície
que beija a água.
segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008
quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008
Exercer o silêncio
na pedra deserta
Caminhar à sombra
das praias da memória
Rente à areia molhada
Saltando por cima dos carangueijos
para abraçar gargalhadas
Amar-te por te viver
em qualquer lugar, só.
na pedra deserta
Caminhar à sombra
das praias da memória
Rente à areia molhada
Saltando por cima dos carangueijos
para abraçar gargalhadas
Amar-te por te viver
em qualquer lugar, só.
segunda-feira, 24 de Novembro de 2008
Descobrir a essência do mar
espelho plano do chão
caminho do encontro com a lua
na marginal de todos os mundos
chorando a pérgola abandonada
cantando a liberdade dos meninos
correndo com os braços repletos
desse amor sem fim.
Germinam paixões
no húmus dos passos
um sorriso de sol
ilumina o rio
a mão acaricia
um rosto uma face risos
murmúrios cúmplices
água das águias
entardecer
pleno de silêncio...
espelho plano do chão
caminho do encontro com a lua
na marginal de todos os mundos
chorando a pérgola abandonada
cantando a liberdade dos meninos
correndo com os braços repletos
desse amor sem fim.
Germinam paixões
no húmus dos passos
um sorriso de sol
ilumina o rio
a mão acaricia
um rosto uma face risos
murmúrios cúmplices
água das águias
entardecer
pleno de silêncio...
segunda-feira, 13 de Outubro de 2008
Como não te amar,
se vivo nas pegadas dos teus passos?
Como não chorar,
se o vento noticia sofrimento
e desejo insaciado?
A dor seca os passos
e a réstia de erva
que alimenta o vazio do dia.
Súbitamente
a foz a nascente
o silêncio do mato
e o chão dos amigos
se vivo nas pegadas dos teus passos?
Como não chorar,
se o vento noticia sofrimento
e desejo insaciado?
A dor seca os passos
e a réstia de erva
que alimenta o vazio do dia.
Súbitamente
a foz a nascente
o silêncio do mato
e o chão dos amigos
quarta-feira, 8 de Outubro de 2008
Alberto de Lacerda - Peregrino
Ó alma errante, onde brilha o fulgor
Das perguntas que a terra silencia,
O que buscas? A que estranho vigor
De visão tu aspiras noite e dia?
Porque me trazes o manto rasgado,
E me rasgas a mim, que tu geraste?
Amas ou não este humano traslado,
Arremedo divino, flor só haste?
Porque nos perseguimos sem nos vermos,
De terra em terra, na esperança, no esforço?
Aonde a luz dos invisíveis ermos
Brilhando inteira na luz de um só corpo?
Onde pressentirás o teu começo?
Então descansarás. Nada mais peço.
Das perguntas que a terra silencia,
O que buscas? A que estranho vigor
De visão tu aspiras noite e dia?
Porque me trazes o manto rasgado,
E me rasgas a mim, que tu geraste?
Amas ou não este humano traslado,
Arremedo divino, flor só haste?
Porque nos perseguimos sem nos vermos,
De terra em terra, na esperança, no esforço?
Aonde a luz dos invisíveis ermos
Brilhando inteira na luz de um só corpo?
Onde pressentirás o teu começo?
Então descansarás. Nada mais peço.
terça-feira, 7 de Outubro de 2008
Alberto de Lacerda - Outros Sons
Já não peço o ardor extasiado
Da luz por dentro das horas mortas
Aprendi onde vivem os pássaros
Já parti de propósito as portas
Já não sei regressar como dantes
Já não choro o que perco Já ouço
Outros sons para além da amurada
Morreu o navio E eu que era moço
Da luz por dentro das horas mortas
Aprendi onde vivem os pássaros
Já parti de propósito as portas
Já não sei regressar como dantes
Já não choro o que perco Já ouço
Outros sons para além da amurada
Morreu o navio E eu que era moço
Aqui estou eu
Anónimo ser de afectos
Caminhando por Alfama
A escutar rostos que o mar levou.
Amo-te em silêncio, meu amor
Já não te pronuncio
Apenas palpita o coração
Quando o cheiro do teu chão me habita.
Vai para a foz O barco veloz
E nós flutuamos
Nos acentos da tarde, Ausentes.
Anónimo ser de afectos
Caminhando por Alfama
A escutar rostos que o mar levou.
Amo-te em silêncio, meu amor
Já não te pronuncio
Apenas palpita o coração
Quando o cheiro do teu chão me habita.
Vai para a foz O barco veloz
E nós flutuamos
Nos acentos da tarde, Ausentes.
terça-feira, 19 de Agosto de 2008
sexta-feira, 15 de Agosto de 2008
quarta-feira, 13 de Agosto de 2008
O marulhar do rio
a árvore arrebatada ao chão
a pedra polida com mãos de vento
a cigarra cantando versos de liberdade
Porque choras
se a águia alvoroça a cidade nua
e um súbito desejo de amor
invade corações cansados de guerra?
a árvore arrebatada ao chão
a pedra polida com mãos de vento
a cigarra cantando versos de liberdade
Porque choras
se a águia alvoroça a cidade nua
e um súbito desejo de amor
invade corações cansados de guerra?
terça-feira, 12 de Agosto de 2008
Diz a areia do mar
que a espuma da água
tem histórias de súbitas paixões
e canta versos d'amores
que chegam e partem
desassombrados
que a espuma da água
tem histórias de súbitas paixões
e canta versos d'amores
que chegam e partem
desassombrados
terça-feira, 29 de Julho de 2008
Fosse o véu horizonte
Os olhos seriam prados de água plana
essência de incenso fumegante
trova da guitarra ancorada a oriente
O chão chamaria ventres inquietos
passos ocultados no refúgio das mãos
deserto pressentido no aroma das searas
com a lua dissipada, ténue
Sou já cavalo alado
guerreiro do verbo libertado
caminhante do futuro ausente
pedra que o vento moldará
sábado, 24 de Maio de 2008
Trovando, a caminho da praia guardada,
Cabelos embalam a vertigem do carro
Que atravessa searas sedentas de água.
A fotografia perfeita do dia imperfeito!
Risos cúmplices na fímbria da tarde,
Vozes que tecem afectos de seda
com a tonalidade vermelha da falésia,
Chão ausente.
Basta ...
Vem, chuva de sede do deserto,
Traz, do horizonte da planície,
a requebra ondulante dos montes.
Cabelos embalam a vertigem do carro
Que atravessa searas sedentas de água.
A fotografia perfeita do dia imperfeito!
Risos cúmplices na fímbria da tarde,
Vozes que tecem afectos de seda
com a tonalidade vermelha da falésia,
Chão ausente.
Basta ...
Vem, chuva de sede do deserto,
Traz, do horizonte da planície,
a requebra ondulante dos montes.
segunda-feira, 19 de Maio de 2008
Choramos
a fome anunciada na nudez da televisão
debruada com a exaltação
da liberdade a ferros conquistada.
A criança lamacenta
coabita com a miséria do luxo
sonha afectos de seda
caminha no fio invisível do mar
sente a dor da barriga inchada.
Eis a geografia cidade
em tempos de indignidade
a fome anunciada na nudez da televisão
debruada com a exaltação
da liberdade a ferros conquistada.
A criança lamacenta
coabita com a miséria do luxo
sonha afectos de seda
caminha no fio invisível do mar
sente a dor da barriga inchada.
Eis a geografia cidade
em tempos de indignidade
sábado, 10 de Maio de 2008
O tremendo vazio do copo.
A cigarra marginal á beira mar.
Ali olhamos indignidades,
ausentes, cegos...
Meninos de mão dada, de uma frescura desconcertante,
percorrem a eira do dia, com liberdade, ingénuos.
Apesar do áspero caminho,
sonham, cantam, saltam. Em silêncio.
Senhores, de espada ao alto,
soçobram na ferocidade do pico.
Já não sonham,
apenas vincam sofrimento, indignos...
A cigarra marginal á beira mar.
Ali olhamos indignidades,
ausentes, cegos...
Meninos de mão dada, de uma frescura desconcertante,
percorrem a eira do dia, com liberdade, ingénuos.
Apesar do áspero caminho,
sonham, cantam, saltam. Em silêncio.
Senhores, de espada ao alto,
soçobram na ferocidade do pico.
Já não sonham,
apenas vincam sofrimento, indignos...
quinta-feira, 27 de Março de 2008
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