Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor. Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo. Abaixo os puristas Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis Estou farto do lirismo namorador Político Raquítico Sifilítico De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo De resto não é lirismo Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbedos O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare - Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. |
domingo, 24 de abril de 2016
Poética - Poema de Manuel Bandeira
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis
Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre
Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo
Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Geografia"
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis
Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre
Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo
Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Geografia"
Até Amanhã - de Eugenio de Andrade
Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.
É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.
É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.
Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.
Eugénio de Andrade, in "Até Amanhã"
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.
É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.
É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.
Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.
Eugénio de Andrade, in "Até Amanhã"
domingo, 17 de abril de 2016
quarta-feira, 13 de abril de 2016
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
terça-feira, 24 de agosto de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
O frio congelou o instante da partida,
Sombra que obliterou
a ingenuidade dos dias descalços.
A dor, na luz da cidade,
de súbito silenciada,
com o teu chão nos passos sem rumo.
O vento traz cheiros,
das palmeiras? das micaias? das casuarinas?
ou apenas do teu sorriso nos rostos dissipados
pelo marulhar da memória...?
Oh meu deserto meu refúgio
minha gargalhada em flôr,
quero o pulsar da tua alma
e o fogo da tua seiva...
Quero...
Sombra que obliterou
a ingenuidade dos dias descalços.
A dor, na luz da cidade,
de súbito silenciada,
com o teu chão nos passos sem rumo.
O vento traz cheiros,
das palmeiras? das micaias? das casuarinas?
ou apenas do teu sorriso nos rostos dissipados
pelo marulhar da memória...?
Oh meu deserto meu refúgio
minha gargalhada em flôr,
quero o pulsar da tua alma
e o fogo da tua seiva...
Quero...
sexta-feira, 26 de março de 2010
Os metros são silenciosos
Súbitamente
Passos desajeitados
Antílopes graciosos
Cruzam-se na interrogação dos olhos
Represam a essência da laranja
como dunas sedentas de vento
Perfumadas com a framboesa do chocolate
O telefone toca
O auscultador permanece pousado
Não queres escutar
O vento de Março
invade as frestas da janela
Tráz seda
ou porto de afectos?
Súbitamente
Passos desajeitados
Antílopes graciosos
Cruzam-se na interrogação dos olhos
Represam a essência da laranja
como dunas sedentas de vento
Perfumadas com a framboesa do chocolate
O telefone toca
O auscultador permanece pousado
Não queres escutar
O vento de Março
invade as frestas da janela
Tráz seda
ou porto de afectos?
domingo, 15 de novembro de 2009
Como te dizer, Ó Mar,
que a geografia das ondas
ilumina a alma do vento,
e o silêncio da tarde é fogo,
é rosa sem fim,
é represa da espuma que me gera?
Como te dizer, Ó Mar,
que a Caravela esculpiu afectos de Seda
e rotas Etíopes para as manhãs,
sem muralhas?
Como te dizer, Ó Mar,
que a água liberta
a dor de te saber ausente
e a tristeza de não mais navegar?
Já estrela, extinta,
apenas há ecos do viajante
que ousou Conhecer-te
e por ti se perdeu... Ó Mar...
que a geografia das ondas
ilumina a alma do vento,
e o silêncio da tarde é fogo,
é rosa sem fim,
é represa da espuma que me gera?
Como te dizer, Ó Mar,
que a Caravela esculpiu afectos de Seda
e rotas Etíopes para as manhãs,
sem muralhas?
Como te dizer, Ó Mar,
que a água liberta
a dor de te saber ausente
e a tristeza de não mais navegar?
Já estrela, extinta,
apenas há ecos do viajante
que ousou Conhecer-te
e por ti se perdeu... Ó Mar...
sábado, 14 de novembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Só o silêncio escuta cânticos do mar,
Só a criança rejubila ao tactear a fímbria da areia,
Só o vento poliniza a memória.
...Na cidade dos murmúrios,
imune às palavras vãs,
sensível às tonalidades do sol,
ora exuberante ora irrequieto, sempre flor,
aconchego lágrimas de praias descalças.
Despojado do chão,
tremo no véu da lua que beija a ria,
como se um súbito exílio
conquistasse o amor que só os olhos vêm.
Só a criança rejubila ao tactear a fímbria da areia,
Só o vento poliniza a memória.
...Na cidade dos murmúrios,
imune às palavras vãs,
sensível às tonalidades do sol,
ora exuberante ora irrequieto, sempre flor,
aconchego lágrimas de praias descalças.
Despojado do chão,
tremo no véu da lua que beija a ria,
como se um súbito exílio
conquistasse o amor que só os olhos vêm.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Ilha de São Vicente - Cabo Verde
Extinto o vulcão, sobram as águas que abraçam a cratera outrora pujante e o espectador dizimado pelo esplendor da areia.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Descobrir a essência do mar
espelho plano do chão
caminho do encontro com a lua
na marginal de todos os mundos
chorando a pérgola abandonada
cantando a liberdade dos meninos
correndo com os braços repletos
desse amor sem fim.
Germinam paixões
no húmus dos passos
um sorriso de sol
ilumina o rio
a mão acaricia
um rosto uma face risos
murmúrios cúmplices
água das águias
entardecer
pleno de silêncio...
espelho plano do chão
caminho do encontro com a lua
na marginal de todos os mundos
chorando a pérgola abandonada
cantando a liberdade dos meninos
correndo com os braços repletos
desse amor sem fim.
Germinam paixões
no húmus dos passos
um sorriso de sol
ilumina o rio
a mão acaricia
um rosto uma face risos
murmúrios cúmplices
água das águias
entardecer
pleno de silêncio...
Subscrever:
Mensagens (Atom)