sábado, 8 de março de 2008

quarta-feira, 5 de março de 2008

Deslizar no âmago da onda
já a pedra tocou o leito do mar
reencontrar palavras que o tempo não apagou...
Tenho-te no exacto olhar da manhã,
que trouxe ausência, presente.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

No riacho do cachimbo Índico,
Recolho pólen perdido na buzina dos dias,
Revejo perfume do casario
espraiado no resguardo do Rio...

A gargalhada da criança
Ressoa na requebra do mar,
Liberta nutrientes da liberdade.

Cicio verbos de plena quietude
Abraçado ao halo do entardecer
Extático.
Exposto a um tempo ausente


Arredores de Arraial D'Ajuda; Brasil


Indíos Pataxós; Porto Seguro; Brasil


Arredores de Arraial D'Ajuda; Brasil


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Irrepreensível silêncio da trovoada
tudo rompe tudo liberta;
A morte ocultada na miséria
A desesperança da alma
O murmúrio inaudível dos famintos ...

Subitamente
O sorriso da criança amanhece;
Ali o mar sossega a dor
Muda o desespero da areia...
estranho

o silêncio da trovoada

tudo rompe

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Ficarei por Aí
Deslumbrado
Sentado na marginal
a escutar rumores do vento
e ecos dos passos vindouros...

Imensos dias depois
nem poeira nem pó
somente água inteira fugaz
Sós

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

De repente,
o sol funde poeira perpétua,
apenas trânsito de luz.

Um café
três sorrisos de conversa
e a canoa resplandece.

O mar é desejo de ver
é sentir os pés na areia
é flutuar na requebra do vento
e redescobrir o Homem.




sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Habito o ser que me desabita
No súbito instante do entardecer
Voar
Sitiar o halo da baía
Deslizar
Vem madrugada
Traz noticias do Oriente

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Somos
átomo resistente
iodo
que poliniza o afecto dos lugares
tecemos
maresia de saudade
no Alto da cidade nossa.
Encontrar-te
na nudez da água
deserta
na melancolia da saudade
quebrada
Atónito

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

verbo água
desejo concreto de mar
semente
trilho rugas de seda
o deserto insiste
na mão que acaricia
o dorso indómito
planar
no ínfimo recanto do futuro

inacabado

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O mar ausente
pressente silêncio
pedra esculpida
no lento vagar do calor.

Deslizar...
Voar no milímetro
aconhego do orvalho hirto
e pleno dos teus olhos.




sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Felizes,
Os que têm vitórias
Forjadas no altruísmo da liberdade.
Encanto perene,
Conquistado com o sangue dos que a sonharam…

…Vêm, então,
Dias de plena quietude,
Ancorados ao gargalhar dos afectos
Que nutrem o chão;

Somos já crianças,
Melodias anciãs
Que anunciam amanhãs…



terça-feira, 25 de setembro de 2007

Estou no alpendre
onde albergo marinheiros
que enredaram o mar que me trouxe.

Às vezes,

o cigarro conjuga verbos da lua
que apazigua a água,
represa dos dias cantados
no átrio do horizonte...


...Viajo na madrugada do futuro

com o chão que a memória ama.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Sou de um lugar
há muito lembrado
nunca encontrado.

Sou pó de areia
vento que molda o chão
janela que proclama o deserto.

Caminho
no sorriso íntimo
da criança que me acolhe.

Por vezes sonho espaço,
Recomeço inadiável
do amor que te nutro.

Autor
Adelson Amaral 

domingo, 2 de setembro de 2007

Há dias,
feitos da intimidade filtrada na dor,
que rumorejam do caldo primordial;

Há dias
suspensos na voz dos dedos
que acariciam a ausência;

Há dias
que caminham no húmus
das gargalhadas dos amigos;

Em Abragão
reinventamos dias modulados
na requebra dos foguetes de Luzim.

domingo, 12 de agosto de 2007

Sonhámos
Abraçando-nos no chão,
Bebendo estrelas,
Cantando.
Éramos vivos.
Matamos-nos
Na alvorada fundadora.
Veio então o silêncio do deserto
Anichado na sombra dos passos.

...Da ressaca do desencontro
Emergiu o pólen do amor...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

O casario
acolhe a antecâmara da cidade
Meninos inquietam a relva
Gomos de pura inocência
Emergem da água plana
Sitiam o desejo...
Eis o chão que amacia ausências.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Incertas certezas
Cacimbam palavras de dor;
Ecos do sopro inicial
Que pauta o gorgulho do nosso chão.
Lentamente,
de fumo feito,
sou tambor índico
que anuncia mares ...

terça-feira, 24 de julho de 2007

O Cavalo de Mouzinho - Rui Knopfli

Ironicamente, o herói colonial defendeu
e ajudou a fixar as fonteiras do país
que havia de converter-se em pátria alheia.
Décadas volvidas, caía uma chuva miudinha,
segundo consta, apearam-lhe a estátua

do alto plinto. Caía uma chuva miudinha,
mas os sr. Alberto Massavanhane garante,
solene e com ar grave, talvez com um nó
na garganta, que não, não era só chuva
e que, mesmo de bronze, até o cavalo chorava.